Trabalhadores rejeitam propostas de renovação da convenção coletiva e seguem em negociação com as instituições

A Caixa Econômica Federal entrou em greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10), em todo o país. No mesmo dia, parte dos funcionários do Banco do Brasil (BB) iniciou paralisação parcial. A decisão ocorre após a rejeição, em assembleias da categoria, das propostas apresentadas pelas instituições durante a campanha salarial de 2026.

 

O movimento atinge os dois bancos públicos num momento em que a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) do setor foi assinada para os bancos privados. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a renovação da CCT foi resultado de 13 rodadas de negociação realizadas ao longo de mais de dois meses.

A proposta aprovada para a maior parte da categoria prevê a reposição integral da inflação, medida pelo INPC, acrescida de aumento real de 0,6% nos salários, com vigência prevista até 31 de agosto de 2028. De acordo com o sindicato paulista, o reajuste real vale para 2026 e 2027 e alcança também a participação nos lucros e resultados (PLR) e os vales refeição e alimentação. No caso da PLR, o valor depende do salário do trabalhador e do lucro obtido pelo banco.

Rejeição nas assembleias

Na Caixa, os empregados rejeitaram a proposta apresentada pelo banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O principal ponto de discordância, segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), é a alteração no plano de saúde dos funcionários, o Saúde Caixa, além de outras reivindicações apresentadas pelos trabalhadores desde junho.

A rejeição foi expressiva em diferentes bases. Em Alagoas, 95,56% dos participantes das assembleias realizadas nos dias 3 e 4 de setembro votaram contra o acordo, conforme dados divulgados pelo sindicato local. Em Mato Grosso do Sul, a rejeição chegou a 87,59% dos votos, de acordo com o SEEBCG-MS. Em Rondônia, a greve nacional foi aprovada com 56% dos votantes favoráveis à paralisação, informou o Sindicato dos Bancários de Rondônia (SEEB-RO).

No Banco do Brasil, a situação é parcial. A nova CCT foi aprovada por parte dos sindicatos, mas rejeitada por outras 60 entidades, segundo informações da negociação. Em algumas bases, como a de São Paulo, trabalhadores de bancos privados e do BB aprovaram a proposta em assembleias.

Posicionamento das partes

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, afirmou que a negociação garantiu aumento real por dois anos e a manutenção das cláusulas previstas na convenção. Segundo ela, a assinatura da CCT representou conquista para a categoria, após mais de dois meses de mobilização. A dirigente citou como próximos temas de negociação a aplicação da NR-1, o combate a metas consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis.

A Caixa Econômica Federal informou que mantém diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e que retomou as negociações com o objetivo de chegar a um acordo. Na terça-feira (8), o banco enviou ofício à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) convocando reunião de negociação para a quarta-feira (9), em São Paulo, citando o fim da ultratividade tanto da CCT quanto do ACT.

O Banco do Brasil, em nota, afirmou que participa da mesa única de negociação da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que reúne os bancos para debater questões gerais da categoria. Segundo a instituição, foram realizadas diversas rodadas de negociação para a data-base de 2026, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em assembleias.

A Fenaban, por sua vez, informou que recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações dos bancários para a campanha salarial deste ano. A federação participou das rodadas que levaram à assinatura da nova convenção coletiva em 9 de setembro, em São Paulo, com vigência até agosto de 2028.

By FFN

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